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Quando e por que estabeleceu este negócio?
Foi puramente
acidental. Eu e a minha mulher viemos viver para aqui em 1988. Eu sempre
tive intenção de trabalhar, e passados 18 meses
um amigo propôs-me começarmos juntos uma imobiliária
aqui em Tavira. Nessa altura , a minha contribuição
foi essencialmente tempo, não dinheiro. A primeira agência,
em 1990, foi uma adega convertida, junto aos Correios. Chamava-se
Michael Dennis. Éramos uma de 16 agências em Tavira,
mas passados 6 meses éramos uma de apenas 6. Começámos
o negócio numa época baixa, e durante os primeiros
18 meses apenas ganhei o suficiente para pagar a minha parte
na sociedade. Em 1993 o meu amigo morreu e eu comecei um novo negócio
- a Michael Julian Propriedades, Lda - com a minha mulher
como sócia.
O
que é diferente ou especial nos serviços que prestam?
O apoio e atenção
prestados pela minha equipa. Os nossos clientes sentem-se seguros e confiantes
com o nosso
acompanhamento e com os nossos conselhos. Nós temos mais
de 15 anos de experiência e uma excelente reputação,
assim como um bom conhecimento da área. Além
disso apenas recomendamos outros profissionais que ofereçam o mesmo
tipo de serviço. Afinal, a maior parte dos nossos clientes
está num país desconhecido e precisa de algum cuidado. Hoje
em dia já não é tão complicado,
pois todas as agências imobiliárias têm que estar registadas,
mas continua a haver um período de preocupação
para os clientes. Nós estamos sempre lá para os ajudar,
pois nem com tanto tempo de experiência consigo ainda
distinguir os clientes e encontrar os que são apenas perda
de tempo. É impossível julgar pelas aparências
ou pelas perguntas que fazem, mas a verdade é que existem
clientes que depois de passarem uns dias na praia recorrem aos nossos
serviços para um "safari" pelo interior!
Mas no final acaba por não fazer diferença, já que
todos os clientes recebem o mesmo tipo de serviço.
Pode
explicar o processo de compra e venda em Portugal?
O contacto inicial feito pelos nossos clientes é normalmente
através de e-mail. A partir daí, de acordo com os valores
disponíveis e com a localização pretendida,
nós enviamos detalhes das propriedades que pensamos ser aquilo
que os clientes procuram. Quando os clientes estão
para vir, podemos oferecer ajuda no planeamento da viagem e na acomodação.
O passo seguinte é marcar uma reunião no
escritório, e é aqui que os clientes conhecem toda a equipa. A
localização das propriedades pode, às vezes, ser
um problema, pois o que é tranquilo e rural para uns, pode
para outros ser isolado e afastado. Às vezes, depois
de algumas visitas, os clientes mudam completamente de ideias quanto
à propriedade que pretendem, mas nesta fase inicial isso
não é problema. Para nós, o mais importante
é que os nossos clientes estejam satisfeitos na altura em
que finalmente decidem o que comprar. Nós explicamos-lhes
todo o processo de compra, incluindo o contrato de promessa, que
é um compromisso legal e que os fará perder a entrada
inicial caso recuem após a sua assinatura; o processo no
notário, o qual pode implicar mais viagens, ou então a possibilidade
de recorrer a um advogado e fazer uma procuração.
Podemos pô-los em contacto com o banco, com advogados, arquitectos
ou construtores, locais e responsáveis, e finalmente podemos
ainda calcular-lhes os custos associados à compra, para que
não haja surpresas. Normalmente avisamo-los para que contem
com aproximadamente 10% do valor da propriedade, para terem
uma noção dos gastos.
Que
conselho daria a alguém que esteja a considerar mudar-se para viver
aqui?
Use profissionais locais que tenham experiência. Um advogado
em Londres ou em Lisboa, por melhor que seja, não conhece as
especificidades do Sotavento Algarvio. Aconselho também a
não tentarem "atalhos", pois pode ser uma experiência custosa
a longo prazo. Portanto, aconselho a que sejam sensatos, a que não
façam aqui algo que não fizessem no seu país.
Não se pode confiar dinheiro ou poder de decisão a
estranhos só porque nos garantem um bom negócio; é
preciso recorrer a quem ofereça garantias, para
não se ser enganado. Ainda bem que aqui já não acontece
com a mesma frequência, mas pode acontecer. A uma senhora
inglesa aconteceu: ela veio com a sua família e os seus animais,
certa de estar a fazer um óptimo negócio, para
descobrir que não existia terreno algum e que o homem com
quem negociara tinha desaparecido com o seu dinheiro.
Pode
descrever o melhor e o pior de comprar um terreno para construir uma casa
em Portugal?
São poucas as pessoas que estão a escolher este procedimento
hoje em dia. Os terrenos bons são raros e caros e as burocracias
podem ser frustantes e exigem muito tempo. Pode levar 2 anos após
comprar o terreno até que a casa esteja pronta. Tudo isto
pode ser aborrecido e há pessoas que têm um certo receio
em lidar com licenças e planificações para construção,
mesmo sabendo que existem arquitectos e projectistas que podem ajudar.
A outra opção é comprar uma casa já
feita, pois existe uma grande variedade de propriedades com qualidade
que normalmente satisfazem os clientes, permitindo que não
se preocupem eles próprios com a construção. Contudo,
alguns clientes preferem casas desenhadas por eles, ou até
por questões de investimento, pois existe maior possibilidade de
lucro quando se vende uma propriedade construída por nós.
De
acordo com a sua experiência, não apenas como homem de negócios,
mas também como residente, acha necessário saber falar
português?
É sempre melhor saber falar português, especialmente
quando se trata de negócios. O meu português não é
tão bom como deveria, mas falo um pouco. Muitas
vezes os nossos clientes portugueses falam inglês, mas se não
falarem nós temos no escritório quem fale
português; aliás, duas das nossas colaboradoras são
portuguesas. A um nível mais pessoal, os portugueses apreciam
que nós aprendamos a sua língua. Eles são muito
prestáveis, especialmente com a pronúncia, que
pode ser muito difícil.
O
que lhe dá mais satisfação ao lidar com os seus clientes
e fornecedores, no seu negócio?
Para mim, a melhor sensação é quando vendo
uma propriedade a um cliente deixando-o realmente satisfeito. Quando eles
gostaram de ter estado connosco e ficaram nossos amigos. Se nos
tornamos amigos depois de um processo de trabalho, então
quer dizer que fizemos tudo bem. Dá-me enorme satisfação
ver a minha equipa trabalhar com os clientes. A paciência e
compreensão que têm são fantásticas.
Eu penso que lido bem com as pessoas, mas só até ver a minha
equipa a trabalhar. O mesmo se aplica aos nossos fornecedores.
O senhor que traz o material de escritório lida connosco há
muito tempo. Quando ele entra no escritório traz sempre um
sorriso e uma forma de estar amigável, o que mostra que gosta
de vir aqui visitar-nos. Isso dá-me imenso prazer.
Até
que ponto o trabalho em rede é importante no seu negócio?
É frequente darem o contacto de outros profissionais, como
advogados, arquitectos, construtores e fornecedores?
Para ser sincero, trabalhar em rede é vital para o sucesso
do nosso negócio. Damos aos nossos clientes os contactos de muitos
profissionais e temos que confiar que eles prestarão um óptimo
serviço. A nossa boa reputação também depende
disso. Uma boa imagem leva anos a ser construída, mas
pode ser desfeita em pouco tempo, bastando às vezes uma má
experiência.
Existe
algum padrão sazonal na compra e venda de propriedades aqui em
Tavira?
Antigamente sim, durante a Primavera e o Verão, mas agora
não. O tempo é muito bom aqui e tirando Agosto, que é
extremamente calmo, as pessoas visitam Tavira durante todo o ano.
Ficamos felizes por voltar a ver velhos e novos amigos em qualquer
altura do ano.
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